Prefeitura Municipal de Sapopema

Administrando com a força do povo

História de Onça - 1874

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Em 1874 passou pela região de Sapopema um inglês chamado Thomas Bigg Wither, ele era engenheiro e junto com sua equipe mapeava a região para a construção de uma estrada de ferro entre o estado do Paraná e Mato Grosso do Sul. Em meio a suas narrativas, ele conta uma história que viveu na nossa região. Segue a história.

O nosso acampamento, que consistia em três pequenas tendas, estava armado numa pequena clareira às margens de um pequeno rio chamado Três Barras. Aconteceu que durante a nossa marcha, naquele dia, eu tinha matado um porco-do-mato, cuja carcaça estava suspensa num galho de árvore que encostava em uma das tendas.

Com exceção de um homem que montava guarda, sozinho, perto do fogo, todos tinham se retirado para as tendas e dormiam a sono solto, quando o detonar de uma pistola veio quebrar rudemente a nossa inatividade e levou cada homem para fora a fim de saber o que ocorria. De revólver em punho, corri, preparado para atirar, fosse fera ou índio. O fogo estava resplandecente e iluminava todo o círculo da clareira.

 Uma das tendas não estava no lugar e, a alguma pequena distância de onde ela estava, um confuso amontoado de lonas se mexia em ameaçadoras contorções no chão, como se fosse algum demônio que tomasse posse daquilo. Um dos tropeiros estava faltando. De repente, abriu-se um espaço no amontoado das lonas em pedaços e nele surgiu um jaguar que, com um salto, desapareceu na floresta. O ato foi tão instantâneo e o nosso espanto tão grande que ninguém teve presença de espírito para dar um tiro no animal, que um ou dois segundos depois do seu desaparecimento podia ser percebido saltando na jungle (floresta) como se fugisse para salvar a própria vida. As contorções debaixo das lonas no chão não tinham cessado de todo, continuando por mais algum tempo, até que o tropeiro desaparecido emergiu daquele amontoado de pano, olhando em torno com feição aturdida e apavorada.

Logo tudo se explicou. Parece que o homem vira o jaguar sair da floresta e entrar manhosamente na clareira, atraído sem dúvida pelo cheiro do porco a que me referi antes Ele o recebeu de pronto com um tiro de pistola, em consequência do que o animal em seu súbito pavor e confusão saltou às cegas para dentro da tenda mais próxima, derrubando-a e ficando com o infortunado tropeiro debaixo de suas dobras. Por alguns segundos — tempo suficiente para ser aceito o nosso testemunho do final — homem e a fera rolaram no chão juntos, cada qual provavelmente mais apavorado que o outro, até que, por fim, como tínhamos visto, o jaguar conseguiu abrir caminho e fugir para a floresta. Quando a história tinha terminado, vaias de riso receberam a infortunada vítima do logro do jaguar e durante o resto da viagem ele foi desapiedadamente escarnecido pelos camaradas sobre o caso do seu não convidado companheiro de cama. Já tarde da noite, no dia 18 de junho (1874), chegamos a jataí e confortavelmente nos instalamos, para o resto da noite, na casa de meu velho companheiro Telêmaco.

 

Para nos ajudar a dar corpo a este projeto, pedimos a todos aqueles que possuam fotografias antigas que nos comunique pelo telefone 3548-1018, e-mail meioambientesapopema@yahoo.com.br, ou venha até a secretaria de Turismo e Meio Ambiente.

Não existe turismo sem nossas memórias.