Prefeitura Municipal de Sapopema

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História sobre o Pinhão e os Índios Coroados - 1874, Thomas P. Bigg-Wither.

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Em meio as narrativas de Thomas Bigg-Wither, ele relata sua experiência com os pinhões da região em 1874. Segue o texto.

Durante os meses de maio, junho e julho, é costume dos índios coroados mansos desta zona deixar o aldeamento e sair andando pelas grandes florestas de pinheiros, alimentando-se do que conseguem matar com o arco e a flecha e com o fruto dos próprios pinheiros. O pinhão, fruta oblonga, de cerca de uma polegada e meia de comprimento, “com um diâmetro de meia a três quartos de polegada na parte mais grossa, tem uma casca coriácea, como a da castanha espanhola. O paladar e, entretanto, superior ao desta última e, como produto alimentício, basta dizer que os índios muitas vezes só se alimentam dele, durante muitas semanas. Pode ser comido cru, mas os índios habitualmente o assam na brasa até partir, quando fica em condições. O sabor ainda melhora quando cozido, mas este é um sistema que os índios não praticam.

O estágio mais delicioso do pinhão é quando ele começa a germinar, fazendo aparecer um pequenino broto verde numa extremidade. Nada excede à guloseima desse fruto em tal estado. Os coroados costumam guardar esse fruto para comê-lo mais tarde. Isso eles fazem enchendo diversos Cestos de pinhão, colocados dentro da água corrente durante quarenta e oito horas. No fim desse tempo os cestos são tirados fora e o conteúdo é espalhado para secar ao sol. Assim conservados, os frutos ficam secos e sem gosto, perdendo sem dúvida grande parte de suas propriedades nutritivas. Se eles pudessem ser importados frescos pela Inglaterra, fariam sem dúvida a fortuna dos senhores que, em certa época do ano, gritam sugestivamente em cada esquina de rua: “Tudo quente, tudo quente”. Desenho original do livro.

As narrativas estão no livro “Novo Caminho no Brasil Meridional: a Província do Paraná. Três Anos em suas Florestas e Campos”. Escrito em 1874 por Thomas P. Bigg-Wither, um inglês que passou por Sapopema e região, ele era engenheiro e junto com sua equipe mapeava a região para a construção de uma estrada de ferro entre o estado do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Semana que vem mais um breve relato da viagem de Bigg-Wither.

 

Para nos ajudar a dar corpo ao resgate histórico de Sapopema, pedimos a todos aqueles que possuam fotografias antigas que nos comunique pelo telefone 3548-1018, e-mail meioambientesapopema@yahoo.com.br, ou venha até a secretaria de Turismo e Meio Ambiente.

Não existe turismo sem nossas memórias.